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25 de agosto, dia do feirante

Atualizado: 1 de set. de 2022

Parabéns a todos os feirantes, que nos oferecem frutas frescas, verduras, cereais, biscoitos e doces típicos, além de confecções, utilidades domesticas e muitas coisas mais.

Em Barreiras, segundo o testemunho das pessoas mais antigas a, feira livre se iniciou na antiga e imensa praça São João Batista, embaixo de frondosas gameleiras, no lugar onde depois foram construídos o prédio do Correio e um bloco de casas.

Temos em nossa terra uma grande variedade de alimentos típicos, a começar pelos saborosos biscoitos de tapioca, como a peta, ginete e vários outros, destacando-se a queijada, que é exclusiva da nossa região. Imaginemos no tempo do Brasil colonial as mulheres donas de casa experimentando diversas variações na forma de usar a tapioca, que é o polvilho da mandioca, para produzirem os alimentos próprios para o café da manhã, uma vez que não era fácil dispor de pão, que é produzido da farinha de trigo. Houve então a prática de imitar o que o índios faziam da tapioca, sendo o primeiro o beiju, que muitos chamam tapioca e cada fez é mais espalhado nos lares brasileiros. Conforme a lenda indígena, a mandioca se originou do local onde foi enterrada a menina indígena chamada "Mani", daí o nome que significa casa de Mani.

Na feira em Barreiras podemos encontrar todas as variedade desses biscoitos, sendo o preferido a "peta" ou "avoador". Para fazer a peta e muitos outros coloca-se no fogo a medida certa conforme a receita de água e, atualmente óleo de cozinha, que substituiu a banha de porco utilizada a princípio. Quando está fervendo adiciona-se à tapioca, que é assim escaldada e depois vai-se colocando a sequência dos outros ingredientes, em que os principais são os ovos. Sem escaldar a tapioca, o biscoito resultante é também saboroso e derrete na boca, como ginete, que leva açúcar e é o preferido pelas crianças pequenas. Existem biscoitos e doces produzidos aqui mesmo na cidade, mas a grande maioria vem da zona rural, especialmente do Arraial da Penha e áreas próximas de lá. Hoje, no Arraial da Penha, a produção de biscoitos e doces típicos tornou-se o oficio de praticamente toda a população, que aos sábados vai ainda de madrugada para a feira, de caminhão, levando o produto da semana.

Desde a década de 1980, quando saiu do Centro Histórico, rodeando o mercado em frente ao caís, a nossa principal feira fica à margem da avenida Antônio Carlos Magalhães, no Centro de Abastecimento, onde foram construídos grandes galpões, em que cada um tem a sua especialidade em produtos.

O feirante é um trabalhador muito importante, em sua missão de oferecer principalmente o alimento saudável a população. Muitos são também os produtores rurais, que se dedicam a certos tipos de produtos, dividindo-se por áreas de plantio: na Taboa da Água vermelha que dispõe da água do Ribeirão do Arapuá, para irrigar, os produtores especializam-se em legumes, verduras, folhas como coentro, alface etc... Já na área do Mucambo os produtores se dedicam muito à mandioca, com oficinas de onde saem a farinha e a tapioca. O Val da Boa Esperança no Rio de Ondas, também produz uma tapioca famosa pela qualidade... e assim poderíamos ir por toda a nossa fértil área rural.

Outra comida típica de Barreiras é o pirão da mulher parida, que, antigamente era o principal alimento, junto com a galinha caipira bem cozida, durante essa fase, em que a mulher dava a luz. Hoje já sabemos através da medicina que esse alimento era muito bom nesse período, porque no caldo fervente com que se escalda a farinha de mandioca vão muitos elementos que beneficiam o sistema imunológico.

Também chegam muitos produtos das cidades vizinhas de Barreiras, como os famosos queijos de Angical e de outros lugares; alho e outros produtos trazidos de Cristópolis e por aí vai.

Atualmente com as estradas asfaltadas chegam à feira da nossa terra caminhões de abacaxi que veem de Itaberaba, outros contendo pinhas vindas de Irecê, umbus de vários lugares e outras mercadorias, com que enriquecem e ampliam a oferta para o nosso povo.

Existe também uma feira em Barreirinhas, no bairro Vila Rica que funciona aos domingos.

A todos os nossos feirantes os parabéns por sua atividade tão útil e relevante e nossos votos de boa sorte.


Fotografia 1: Feira municipal de Barreiras. Fonte: site da prefeitura municipal de Barreiras.


......

Um pouco da história



Fotografia II: Galpão na Praça Coronel Antônio Balbino


Galpão construído na praça que hoje as pessoas chamam Praça da Alimentação, mas cujo nome é Praça Coronel Antônio Balbino.




Ao observarmos a foto acima, podemos notar que na praça em frente à igreja de São João Batista que se estendia do lado esquerdo, já está iniciada a construção do prédio do Correio mas não a das casas adjacentes a ele. Havia arborização com pinheiros, que se iniciava em torno da igreja.


Consta da tradição oral barreirense que o primeiro local onde se estabeleceu a feira foi aí nesta parte vazia da foto, onde antes havia grandes arvores, Gameleiras muito frondosas que davam sombra a feira, mas, claro, não abrigavam da chuva. Por isso em 1908 o prefeito Manuel Neto da Franca determinou no orçamento do município do ano seguinte uma verba para a construção do primeiro mercado, que também aparece na foto... era um galpão de madeira trabalhada, que passou a abrigar os feirantes, suas mercadorias e os compradores. Mas como Barreiras crescia muito de pressa, com a produção e exportação da borracha de Mangabeira, em pouco tempo este galpão ficou pequeno, sendo construído um mercado de tijolos em 1920, pelo Prefeito Coronel Antônio Balbino de Carvalho. Esse novo mercado, que foi construído em tamanho bastante grande, foi vendido pela Prefeitura em 1950, para ajudar na construção de um mercado muito maior, na frente do cais. Esses dois prédios, que foram muito bem feitos ainda se encontram em Barreiras, servindo a outros fins.


No interior deste segundo mercado estabeleceu-se a feira, que dentro de poucos anos já não cabia mais ali e se espalhava pelas ruas adjacentes e pela frente do cais. Vendo nas outras fotos a beleza do galpão, dá até para pensar que poderia não ter sido demolido em 1950, mas sim mudada a sua finalidade, ficando para apresentações musicais e outros eventos culturais.

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